Arquivos mensais: Junho 2011

Dia verde

Dia verde

- Porque o dia está tão bonito hoje? Pergunta um jovem rapaz ao seu amigo, na fila de espera de um grande show. – Porque Deus quis que o dia estivesse assim, para receber o maior espetáculo de rock dos últimos tempos. Responde.

Quarta-feira, dia 13 de outubro de 2010. O dia em que eu vi pisar em solo gaúcho minha banda de rock preferida. Banda que eu ouço desde a minha adolescência, que descobri mexendoem alguns CDsdo meu irmão.

Lembro bem do dia em que eu soube que o Green Day viria ao país. Foi no início de 2010, eles anunciaram a turnê e o Brasil estava incluído. Meses depois, confirmaram showsem São Pauloe no Rio de Janeiro. Foi meio decepcionante, afinal, seria quase impossível eu ir. Mas, uma esperança ainda restava. Passei a olhar todos os dias o site oficial da banda e as comunidades no Orkut – desde que tenho conta no Orkut, participo da comunidade “Se Green Day vier, eu vou!”. Até que um dia, a janelinha do meu MSN piscou. Era um amigo, me comunicando da notícia anunciada recentemente no site oficial da banda: estava confirmado o showem Porto Alegre, no dia 13 de outubro.

Ah! Eu gritei e chorei muito. Era a minha chance de ver de perto o Billie, o Tré e o Mike. Na mesma hora, deixei um recado no Orkut para a Shirley, uma grande amiga que moraem Porto Alegre. Eujá tinha dividido com a Shirley a emoção de ver de perto o Pearl Jam, que é a banda preferida dela. E naquele show, que ocorreu em 2005, combinamos que, quando o Green Day viesse, íamos juntas novamente.

Um tempo se passou e a Shirley nem tinha se mostrado muito empolgada com a notícia. A venda dos ingressos havia começado e, novamente, mandei um recado para ela. Dois dias depois, recebi a resposta: “Passei por um ponto de venda e não me aguentei, comprei nossos ingressos!”. Legal que ela falou isso com tanta naturalidade e óbvio que eu quase surtei quando vi a foto do ingresso no Orkut dela. Poxa, eu ia ver o Green Day!

>> Euforia: O tempo entre a compra dos ingressos e o dia do show passou voando. Quando eu vi, já tinha chegado o dia de embarcar na van rumo à realização do meu sonho. Ah, sim… Neste meio tempo conheci um pessoal que estava organizando uma excursão para o show, com saída aqui de Ijuí, e aproveitei a oportunidade. E lá estava eu, em uma van cheia de gente louca por Green Day, tão eufóricos quanto eu para ver de perto essa banda que fascina, encanta e diverte o público. Saímos de Ijuí por volta da meia-noite do dia 12 de outubro e chegamosem Porto Alegre na manhã do dia 13.

Ficamos o dia todo ali, nos revezando na fila. Queríamos garantir um bom lugar. Aos poucos, mais fãs foram chegando e a hora do grande espetáculo se aproximava. Por volta das 18h, os portões do Ginásio Gigantinho se abriram. É uma emoção muito grande quando abrem os portões, todos correndo, loucos, malucos, querendo garantir um lugar bem em frente ao palco. Resolvi ficar na arquibancada, porque, afinal, não tenho mais 15 anos e aquilo era um show punk. E eu queria muito sair viva de lá para poder escrever esse texto.

Logo, a Shirley chegou e ficamos fofocando, colocando a conversaem dia. Nemparecia que eu estava esperando para ver o Green Day. É que uma coisa estranha acontece nesses casos, é difícil acreditar que está tudo realmente acontecendo. Eu olhava ao redor e enxergava pessoas com câmeras fotográficas, todos com camisetas, faixas, cartazes da banda, cantando as músicas da banda, pulando, bebendo. É muito louco… E eu estava ali no meio, não acreditando, mas vivendo tudo aquilo. Até gastei R$30,00 em uma camiseta da turnê.

A gente nota que a hora está chegando quando a banda de abertura se despede e saí do palco. Tchau para a Superguidis, que, por sinal, fez um grande show. Então, as luzes do ginásio se apagaram e clássicos do rock começaram a tocar. Quando tocou Ramones, senti um arrepio muito forte… O show ia começar!

>> A hora chegou! Por um instante, tudo silenciou. A intro do CD “21st Century Breakdown”, a famosa “Song of the Century” começou a tocar ao fundo. Nesse momento, as 15 mil pessoas que lotavam o Gigantinho gritaram, todas ao mesmo tempo, gritos que aumentaram com os primeiros acordes vindos da guitarra de Billie Joe Armstrong. O Green Day estava no palco, eu estava chorando abraçada na Shirley e o ginásio estava tomado pela emoção dos fãs. Oito anos de espera e finalmente eu estava vendo um show deles, da banda que fez eu me tornar uma amante e admiradora do rock.

As primeiras músicas tocadas foram as do último CD, que deu nome a turnê. Mas, obviamente, os clássicos não ficaram de fora. Foram três horas de show, ou melhor, de espetáculo, porque com tudo o que o trio fez em cima daquele palco, chamar de show é pouco.

O Billie Joe, nas palavras da Shirley, é igual aos Oompa Loompas, sabe, os anõezinhos do filme “A fantástica fábrica de chocolate”. Ele é pequenininho e espevitado, não sossega… Canta, toca, fala muito, corre, pula, tudo ao mesmo tempo. E é muito piadista e bem humorado. O Tré Cool é exótico, o pé dele é mesmo muito grande, mas ele também é bem pequenininho, quase desaparece atrás da bateria. E o Mike Dirnt, ah! Que baixista! Ele é o mais sério da banda, ou melhor, o menos bobo, toca muito e toca com vontade, com prazer. Juntos, formam um trio perfeito e harmônico, capazes de conduzir um show repleto de surpresas, que é, ao mesmo tempo, um show de rock e um show de humor, porque é impossível não se divertir vendo o Green Day no palco.

Tenho pouco espaço para descrever tudo o que presenciei naquela noite. Mas, entre os pontos altos destaco os efeitos do show, que teve muitas explosões, fogo e chuva de faíscas; O fã que foi chamado ao palco e levou um celinho do Billie Joe e a fã que cantou uma música com ele e foi presenteada com sua guitarra; As gigantescas rodas punks que se formaram na pista, principalmente ao som dos clássicos do “Dookie”; Os covers muito bem selecionados, entre eles AC/DC e Led Zeppelin; E o Billie Joe gritando “Oh my Good, Brasil” em tom de orgasmo.

Depois de tudo, tenho a certeza de que a espera valeu a pena, que o dinheiro gasto foi bem investido, que o cansaço foi recompensado. O show do Green Day foi um sonho realizado, um dia inesquecível, um dia verde! Para mim e para eles: “Last night inPorto Alegrewas top 3 craziest shows we ever played”, diz Billie Joe no Twitter oficial do Green Day.

Amor

Amor

Quero falar sobre amor. Falar, para ninguém ouvir, para ninguém prestar a atenção. Hoje, li em algum lugar, que existem diversos motivos para não amar uma pessoa e apenas um para amá-la. Esse único motivo é mais forte que todos os outros, sempre. Porque o amor é assim mesmo, não dá para fugir. Por amor a gente se entrega, a gente muda, a gente se submete a coisas que nem sempre gostamos. Por amor a gente faz qualquer coisa. Por isso, o amor nem sempre é bom. E nem tem como ser, nada é sempre bom, nem o bom é sempre bom. Mesmo assim, encaro o amor como um sentimento completo. Acho que quem não ama, quem não se entrega ao amor, torna-se uma pessoa vazia. O amor causa sofrimentos, mas também muita alegria, muita alegria. E a alegria compensa qualquer sofrimento passado. Para ter alegria, tem que ter entendimento e no amor nem sempre há entendimento. Casais em briga são como crianças, ambos querem ter a última resposta e sair vitoriosos da discussão. Mas nunca há vitoriosos, apenas sobram dois corações magoados. Muito magoados. Mas muito magoados. Quem ama, se magoa muito fácil, porque quem ama, só espera coisas boas da outra pessoa, mas nem sempre recebe. O amor é um sentimento muito bom, mas é difícil viver o amor. Porém, a alegria de se sentir completo ao lado de alguém, compensa qualquer esforço.