Por: Luciene Ferrari
A previsão do tempo do jornal do SBT nem sempre está errada: depois de um belo dia de sol no inverno, pode contar que vem a tempestade.
Tive um final de semana como há tempos não tinha. Dormi muito bem de sexta pra sábado, o que fez minhas olheiras diminuírem relativamente. Além disso, fiz compras, e meu cabelo resolveu fazer novamente parte de mim, ou seja, ficou quietinho na minha cabeça, como a chapinha ordenou.
Sábado à noite fui ver o Gessinger – lindo! – e o Leindecker – fofo! – e confirmei a impressão que eu tinha, de que os dois juntos fazem um par tão perfeito quanto a Angelina Jolie e o Brad Pitt. Resumindo, que show!
“Pouca Vogal, clássico GREnal…” é o que fala a letra da música de trabalho da dupla, que combinou certinho com meu final de semana maravilhoso. Depois de ver o Pouca Vogal no sábado, e quase ser abduzida por um grupo de emos, vim para casa realizada, afinal, eu tinha acabado de ver um show incrível.
No domingo acordei a tempo de ver o GREnal – às 15h51 – exatamente! Comi qualquer coisa e passei a me concentrar inteiramente no jogo. Eu tinha certeza que íamos ganhar, estava mais do que confiante. Até que levamos um gol – Nilmar – gostoso! – e meu vizinho começou a gritar enlouquecidamente. Sim, é aquele mesmo vizinho, que faz despertar a assassina que existe dentro de mim.
Juro que tive vontade de fazer uma bomba caseira naquele instante, e jogar em cima da casa dele. Mas me contive, afinal, ainda tínhamos o Souza. E foi justamente dos pés do Souza que saiu nosso gol de empate, o gol que fez despertar a psicopata que existe dentro de mim. Eu gritei tanto, que sentia minha garganta – já machucada dos gritos do show – sangrar de dor. Mas não importava, era nosso gol de empate, um passo para a nossa vitória. Vitória essa que veio mais tarde, com o gol do hermano Maximiliano Lopez. Eu sempre gostei dos argentinos.
Como é bom vencer um GREnal. Como é bom impedir o Internacional de ficar em primeiro na classificação – é a vingança, eles fizeram isso com nós no ano passado. Como é bom tirar sarro com todos os colorados do mundo que eu conheço. A essa altura, meu vizinho já tinha cavado um buraco e se enterrado nele, pra não precisar ver a minha cara de “bem feito perdedor”, e a vitória estampada no meu sorriso debochado. Eu sou terrível quando quero.
Final de semana, OK!
Aí, veio a segunda-feira, e os problemas começaram. Muitos livros pra ler, muitos trabalhos pra terminar, fora o estágio. “Ondiéque” eu estava com a cabeça quando resolvi fazer matéria de férias? Férias são férias, a própria palavra já diz. Tonta! Mas enfim, como diria algum velho do século passado “se foi pra chuva é mesmo pra se molhar”.
Definitivamente, a semana não começou bem, e eu também não estava com vontade alguma de fazer algo para deixar ela melhor. Única coisa que me animava, era tirar sarro com todos os colorados do mundo que eu conheço da última semana. Nem tinha mais graça. Mas e daí, perderam, bem feito.
Bom, mas o auge da chinelagem foi na quarta-feira. Pensa num mau-humor. Era eu, falando sozinha por ter saído de casa com pouco casaco, estar sentindo frio, e com medo de voltar e acabar perdendo o último – e único – ônibus Centro-Campus entre 13h da tarde e 22h da noite.
Caí. Sério, podem rir. Foi engraçado mesmo, minha bunda no chão e minhas pernas nas nuvens. Juro que queria que alguém tivesse gravado, porque a cena deve ter sido muito feia, ainda mais estando eu de suplex, o que me deixa com as pernas ainda mais finas – Olívia Palito.
Eu estava passando na frente da Fidene – pra quem não conhece, é onde temos algumas aulas na faculdade. Era horário de pico, muita gente, muitos carros. Resvalei em algo molhado, sei lá eu o que era, talvez um sapo, ou uma tartaruga ninja. Pior que eu tava me achando, de óculos escuros, casaco do Grêmio e, putz, suplex. Que dia ruim pra usar suplex. Fui pro chão, com bolsa, óculos, e tudo que tinha direito. As pessoas devem ter rido muito, não sei, não vi, não tive coragem de olhar pro lado. Só sei que, como caí, levantei, morrendo de dor, toda raspada, suja, e com meu ego destruído.
Tu não é nada quando ta no chão. Tu pode ser gostosa, teu time pode ter ganhado, e tu pode até estar de suplex. Mas, quando tu cai no meio da rua, vira uma casca de banana. Não parou um puto cristão pra me ajudar. Imagina se eu fosse uma mendiga, possivelmente até pisariam em cima. Justo eu, que dou meu lugar no ônibus para os velhinhos sentarem.
Enfim, eis que estou agora com meu braço podre, perigando a cair, da batida que levei na queda. Minha nádega direita amassou, deve estar uns 10cm menor que a esquerda. Fora o roxo/preto/amarelo que se formou no local.
Felizmente, na previsão do tempo de hoje, disse que depois do temporal viriam dias lindos de sol, com direito a flores e árvores bem esverdeadas, pássaros cantando e arco-íris. Veremos.