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A encantadora arte de fotografar

A encantadora arte de fotografar

(Matéria publicada na Revista TRI – Identidade Cultural de abril de 2009)

“Antes de tudo, a fotografia é uma atividade divertida. É feita para registrar lembranças e comunicar nossas ideias e pensamentos, e é a única em sua capacidade de congelar para sempre um determinado instante do tempo. É isso, talvez, que lhe confere um encanto universal”. (John Hedgecoe, fotógrafo e escritor)


Por Luciene Ferrari

Viajar mundo afora com uma câmera na mão, fotografando tudo e todos que achar interessante. Esse é o sonho de Bruna Mohr, de 17 anos, uma jovem e bela fotógrafa ijuiense, com um talento indiscutível, que revela por meio de suas fotos um profissionalismo de gente grande.

Bruna se define como uma garota de personalidade forte, mas bem sociável: “Gosto de sempre estar envolvida em algum projeto, de trabalhar voluntariamente. Sempre viajei bastante e me mudei bastante, nunca vivi mais de cinco anos no mesmo lugar, então sou uma pessoa bem adaptável e sociável”, explica a jovem.

A paixão pela fotografia surgiu quando Bruna ainda era criança: “Fui influenciada pela minha mãe, que me dizia que quando era mais nova tinha o sonho de ter uma câmera pra registrar os momentos que ela vivia”, argumenta. “Mas essa paixão cresceu quando ganhei minha primeira câmera e pude mostrar às pessoas a forma como eu via o mundo e isso é incrível!”, completa a jovem fotógrafa.

Bruna ainda não fez nenhum curso ou especialização na área, mas, conta que lê muito sobre fotografia, além de estar sempre debatendo com fotógrafos profissionais na Internet. Por enquanto, a jovem encara a fotografia como um hobby, mas seu desejo é dedicar-se, futuramente, somente a ela. “Por enquanto é um hobby, mas sempre que aparece alguma oportunidade profissional eu aceito. Já fiz fotos para divulgação da banda Parada Obrigatória e fora isso, tento sempre aproveitar as oportunidades que aparecem de tirar fotos pra festas, para alguns amigos ou qualquer outra ocasião em que meu trabalho seja divulgado”, explica.

As coisas da natureza – paisagens, flores, insetos, etc. – é o que Bruna mais gosta de fotografar: “Eu sempre disse para as pessoas que eu tinha duas paixões incontroláveis: a fotografia e a natureza. Então eu as uni!” conta. Justamente por amar a natureza, é que Bruna decidiu cursar Engenharia Florestal: “Terminei o ensino médio ano passado e agora estou esperando minhas aulas na UFSM começar. Espero conseguir terminar a faculdade de Engenharia e depois ingressar em um bom emprego, para poder bancar minha faculdade de fotografia”, comenta.

Por estar com sua câmera sempre acionada, fotografando momentos, a talentosa jovem confessa que já registrou cenas inusitadas, muitas delas sem querer: “Já fotografei uma abelha chegando à flor, quando minha intenção era somente fotografar a flor. E como sempre estou com a câmera na mão, acontece, de vez em quando, de eu registrar alguma pessoa em alguma pose estranha ou engraçada”, conta, aos risos.

Bruna chama sua atual câmera, uma Canon SX110 IS, de “xodó”. Segundo ela própria, é uma câmera simples, mas especial, ainda mais por ter ganhado de presente de um amigo. Mas o segredo da beleza e do encanto das fotos de Bruna não está na câmera, e sim na sensibilidade e no talento inegável da jovem, que busca inspiração nos lugares e nas coisas que vê no dia-a-dia. “Eu gosto de fotografar as pequenas coisas, de pegar detalhes que passam despercebidos por muitas pessoas” finaliza a artista.

Mais fotos de Bruna:

O melhor semestre, dos últimos anos, de todos os tempos…

O melhor semestre, dos últimos anos, de todos os tempos…

Por: Luciene Ferrari

Em setembro de 2009, exatos quarto meses atrás, fui a um show de uma banda que eu simpatizava muito, na noite do meu aniversário de 25 anos. Inclusive, fiz um post aqui no blog falando sobre esse dia – Beterraba Balzaquiana.

Dias depois, assistindo a uma aula de Rádio, Vídeo, Televisão e Cinema, ainda com o som daquela banda na cabeça, tive uma idéia: Produzir um videoclipe. Precisávamos produzir algo no semestre, um documentário, um curta metragem, enfim, algum trabalho com vídeo… Então, por que não um clipe musical? Formamos um grupo e levamos a idéia ao professor, que aprovou na hora.

No mesmo dia, conversei com o John, guitarrista da Parada Obrigatória, a tal banda. Entusiasmado, ele aceitou de cara a proposta e ficou de conversar com os outros integrantes, para logo começamos a trabalhar no sonhado clipe.

Foram meses de muito trabalho, mas meses divertidíssimos. Tanta correria, tantas cenas repetidas, alguns estresses também, mas tudo muito bom, muito proveitoso, muito enriquecedor. E o mais incrível é que não produzimos apenas um clipe: nós fizemos barulho, e muito barulho… No blog (www.projetoanaluana.wordpress.com), no Twitter (@Po_Rock), no Orkut… Viramos pauta de jornais, de rádios, de outros blogs, paramos na boca do povo!

Eu não esperava tanta repercussão. Era apenas um trabalho de faculdade, que acabou virando um grande desafio, depois um sonho e uma expectativa para quem estava assistindo de fora.

Finalmente, no início desse mês, terminamos o clipe. O resultado nos agradou, agradou a banda e a maioria dos fãs também e isso nos deixou imensamente felizes.

De todas as disciplinas que eu já fiz certamente a de RTVC II foi a mais importante em termos de prática. Eu e meus colegas Anderson, Monique, Naiara e Râmisa não tínhamos experiência alguma com vídeo… Aprendemos errando, aprendemos repetindo, aprendemos fazendo! Passamos por todos os processos, desde roteiro, produção, storyboard, decupagem, edição, finalização… Conseguimos trabalhar em equipe e conquistar o apoio e a torcida de todos que nos acompanharam nesse processo: amigos, colegas, professores, banda e fãs da banda. A essas pessoas, o meu muito obrigada!

E claro, eu não poderia terminar esse post sem falar mais deles, os meninos que fizeram todo esse trabalho ser possível. Ale, John, Gui e Geléia, durante esses quatro meses, eu não só realizei um grande trabalho de faculdade e conquistei mais uma boa nota no meu histórico acadêmico… Eu pude conhecer melhor vocês, que foi a minha maior conquista. Não é ”puxa saquismo”, até porque eu não ganharia nada fazendo isso… Realmente, vocês são pessoas incríveis, cada um de vocês, com suas peculiaridades e qualidades e defeitos. Sem contar que são extremamente profissionais e talentosos. Eu acredito tanto em vocês, mas tanto, que é impossível explicar com palavras. Sério, foi ótimo cada momento… Eu espero que nosso clipe ajude a muito a Parada Obrigatória, de coração. Muito obrigada pela oportunidade, vocês vão estar para sempre em meu coração.

Equipe e banda, no lançamento do CD e clipe - 15/01/2010

Acorde para o mundo, conheça outras alternativas…

Acorde para o mundo, conheça outras alternativas…

Por: Luciene Ferrari 

Obviamente, você já ouviu falar da atual crise econômica que afeta parte do mundo. Muito possivelmente, você já sentiu no seu bolso as conseqüências dessa crise, ou, pelo menos, conhece ou ouviu falar de alguém que a está sentindo.

Mas, e se eu lhe contasse, caro leitor, que existe uma outra forma de economia, na qual não existem essas tão inconvenientes crises, você acreditaria? É, pode parecer loucura, mas existe. Essa alternativa chama-se economia solidária, e se você nunca ouviu falar disso, ou ouviu e não deu importância, está na hora de começar a se ligar.

A economia solidária constitui-se em uma outra forma de organização econômica, a partir do trabalho coletivo, um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Nela, não existe patrão e empregado, todos decidem em conjunto e se beneficiam igualmente. É percebida também como uma forma de inclusão social.

Em palavras, é isso. Mas e na prática, que é o que interessa, existe algum exemplo? Existe! E não só um, ou dois, são muitos. No Brasil, no Rio Grande do Sul, e aqui mesmo, em nosso município. Mas não é sobre ela que vou começar falando, e sim de um exemplo maior, mais antigo, e que é hoje, talvez, a maior referência de que a economia solidária pode sim dar certo: o Banco Palmas.

O Banco Palmas é uma prática de socioeconomia solidária, idealizada pela Associação de Moradores do Conjunto Palmeira, um bairro popular, com trinta e dois mil moradores, localizado na periferia de Fortaleza – CE.

Há cerca de vinte anos, moradores desse bairro perceberam que apesar da vulnerabilidade social a que estavam imersos, todos tinham comida, vestimenta, móveis e eletrodomésticos, representando uma grande riqueza na comunidade, que estava saindo dali e indo para os grandes centros. A partir disso, resolveram trabalhar na criação de empreendimentos de economia solidária, produzindo tudo o que precisavam para viver ali mesmo, no bairro. Com isso, todo o dinheiro passou a circular somente entre eles. Criaram o Banco Palmas, e sua própria moeda social, chamada de Palmas. 

Cinco Palmas
Cinco Palmas

 Moeda Social é uma moeda complementar ao real, que tem por objetivo fazer com que o “dinheiro” circule na própria comunidade, ampliando o poder de comercialização local, aumentando a riqueza circulante na comunidade, gerando assim trabalho e renda. O funcionamento é simples: em vez de pagar em reais, o consumidor usa a Moeda Social circulante no seu bairro ou cidade. O comerciante faz a troca no Banco Social, caso precise consumir fora dali.

Hoje, o Conjunto Palmeira é uma referência de união, organização, e um grande exemplo de comunidade, em que todos juntos conseguiram vencer a condição de exclusão e pobreza em que se encontravam há vinte anos. E como venceram! Eles têm tudo na comunidade, desde a grife Palma Fashion, que produz roupas masculinas e femininas, a Palma Natus, que trabalha com sabonetes artesanais e fitoterápicos, a Palma Limpe, que produz vários tipos de materiais de limpeza, além da Loja Solidária, que comercializa produções artesanais, entre outras, e Feira do Banco Palmas, que é um espaço público onde são comercializados semanalmente produtos feitos no próprio bairro, além de ser um instrumento de reforço à cultura popular, dando oportunidade para apresentações artísticas de moradores do bairro.

Mas, como o Ceará está muito distante, vamos falar da economia solidária que acontece aqui mesmo, na cidade de Ijuí. A Unijuí – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, entre seus muitos projetos de extensão, possui um sobre a economia solidária. Quem diria! Talvez sua filha, irmã, seu cunhado, vizinho, ou você mesmo, sejam acadêmicos da Unijuí, e quem sabe nem sabiam disso ainda.

Este projeto, mais conhecido como ITECSOL – Incubadora de Economia Solidária, Desenvolvimento e Tecnologia Social, conta com uma equipe de professores da Unijuí, técnicos, bolsistas e estagiários, e atua como assessora de alguns empreendimentos de economia solidária, que aos poucos também estão se organizando na cidade e região.

Provavelmente, se você é acadêmico, professor ou funcionário da Unijuí, já deve ter visto as feiras que costumam acontecer mensalmente no Campus. São Feiras de Economia Solidária, onde também circula uma Moeda Social entre os feirantes, incentivando-os a consumir entre eles. A criação dessa moeda foi ideia da ITECSOL, e a aceitação do grupo foi muito satisfatória, sendo que hoje a moeda já tem até nome próprio, pensado pelos membros dos empreendimentos: Quero-Quero. 

Cinco Quero-Quero
Cinco Quero-Quero

 A Quero-Quero, primeira moeda social de Ijuí, que antes era apenas conhecida como “Social”, recebeu esse nome não só porque o passado é uma ave símbolo do nosso estado, mas também, baseada em uma lenda, conhecida pelos feirantes. Dizia a lenda, que um pássaro andava perdido pela floresta, sem saber ao certo o que procurava, apenas gritava “quero” por todos os lados onde passava. Até que um dia encontrou uma sábia coruja, que lhe falou: “Querido pássaro, para você achar seu caminho, não basta querer, é preciso e necessário querer duas vezes!” Assim, os empreendimentos pensam que na sociedade atual, para concretizar seus sonhos não basta querer, precisamos quer duas vezes, como conta a lenda do quero-quero.

O movimento da economia solidária está se expandindo no país e no mundo, e agora, com a crise, mais do que nunca. Quem antes não se interessava, agora busca mais informações, e geralmente encontra ali uma alternativa de organização econômica, além de valores como a autogestão, democracia, cooperação, solidariedade, respeito a natureza, promoção da dignidade e, sobretudo, valorização do trabalho humano.

Na economia solidária já existem cerca de trinta e cinco bancos e cinco moedas próprias oficiais em circulação. Isso só no Brasil. É uma alternativa totalmente diferente da economia globalizada, o oposto. E agora você já sabe que ela realmente funciona. Não existe crise na economia solidária, porque a riqueza fica na própria comunidade.