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Consumo Responsável: E eu com isso?

Consumo Responsável: E eu com isso?

Por: Luciene Ferrari

Falar de consumo consciente é falar de algo complexo, principalmente quando quem escreve resolve seu problema de sede momentânea com uma Coca-Cola bem ao lado. É um assunto amplo, mas muitos nem querem ouvir falar ou fingem que não se importam – o que é normal, pois se tratando de consumo consciente e responsável, todos temos culpa no cartório.

Não é errado consumir. Errado é consumir exageradamente, fechando os olhos para a solidariedade, para a crise ambiental, para a mão-de-obra escrava e infantil, para os impiedosos testes em animais e para tantos outros fatores ligados ao consumo irresponsável da grande maioria da população.

Consumo Responsável

Compactuamos com tudo isso quando compramos qualquer produto, de qualquer marca, sem analisar sua origem. Inúmeras empresas utilizam trabalho escravo e infantil na confecção de seus produtos, por exemplo. Outras revertem parte de seus lucros para os EUA, utilizados na compra de armamentos para atacar o Iraque. Temos ainda tantos outros produtos que contribuem para a crise ambiental, para a geração de resíduos que sequer podem ser reciclados, e que talvez se decomponham daqui a mil anos.

A idéia de consumo consciente vai além de nossas necessidades individuais. Leva em conta outros aspectos, como os reflexos na sociedade, economia e meio ambiente. Esses reflexos podem ser positivos ou negativos: ao comprar produtos de uma empresa que utiliza trabalho escravo, ou que realiza testes em animais, o consumidor compactua com essas práticas abomináveis. Por outro lado, se comprar alimentos orgânicos, ou roupas feitas com algodão agroecológico, contribuirá com o setor da economia que não utiliza substâncias tóxicas em sua produção e que não agride o meio ambiente.

Óbvio que a consciência tem um preço, e não é baixo. Nem todo mundo está disposto a controlar o que compra, fiscalizar os produtos e marcas que utiliza, veste e come, ou ainda avaliar se realmente precisa daquilo naquele momento. Entretanto, por mais complicado que possa parecer, ações cotidianas, concretas e voluntárias de consumo consciente permitem a qualquer pessoa contribuir para a preservação do meio ambiente e melhorar a qualidade de vida de todos.

O poder de transformação social está na mão dos consumidores, ou seja, na mão de todos nós. Cabe-nos a tarefa de escolher empresas éticas, que respeitam os direitos humanos e os limites naturais do planeta. Além disso, comprar menos e melhor, consumir só o necessário, reutilizar produtos, separar o lixo, não comprar produtos piratas, são importantes práticas de consumo responsável que podem ser adotadas. E nada disso é complicado ou difícil se passar a ser encarado como uma prática natural, como lavar as mãos, olhar televisão ou arrumar a cama.

Liberdade de imprensa e publicidade enganosa

Liberdade de imprensa e publicidade enganosa

Por Waldemar Rossi em 1/9/2009

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“Um dia depois de ter despejado de forma violenta 800 famílias em Capão Redondo, o governo de São Paulo (leia-se, governo Serra) tem a cara de pau de publicar um anúncio de uma página nos jornais divulgando a sua `política de habitação popular´” (nota publicada no CMI – Centro de Mídia Independente).

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Pela internet, é possível ainda ter acesso a algumas informações que a mídia brasileira nega aos seus leitores ou freqüentadores (sic) audiovisuais. É o caso da nota acima, que não foi divulgada pela imprensa. A nota virtual veio acompanhada de fotos de mais uma propaganda enganosa do governo de São Paulo (de José Serra). Acompanhando o título publicitário “Habitação popular no estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”, vêm quatro fotos arrumadinhas de algumas pessoas que mostram sua “satisfação” em receber moradia popular. A foto de cada pessoa ou família vem junto a um subtítulo: “Acredite; Sonhe; Respire; e Comemore”.

A nota da internet, por sua vez, traz, acompanhando os mesmos subtítulos, outras quatro fotos revelando a forma violenta com que a polícia estadual – de responsabilidade exclusiva do governador José Serra – promoveu o despejo de 800 famílias de Capão Redondo, entre tantos outros despejos criminosos, despejos determinados pela “justiça” estadual. Nessas fotos, que contrastam com a publicidade oficial, aparecem: crianças desalojadas na rua (Acreditem); morador tentando salvar alguma coisa de seu barraco (Sonhe); fumaça das bombas de gás exalando no meio dos barracos (Respire); e povo aglomerado desalojado do seu abrigo (Comemore).

Além dessas propagandas enganosas, cheias de meias-verdades, os governantes têm ao seu dispor toda a cobertura da imprensa, com comentários dos mais elogiosos sobre suas “obras populares”. Enquanto para o povo restam comentários desairosos, tentando passar para a opinião pública que se trata de criminosos, de “invasores”, negando as informações mais importantes de que são pessoas e famílias inteiras injustiçadas por esta sociedade discriminatória. Injustiçadas pelas políticas públicas que satisfazem aos interesses do capital, pela concentração de rendas, pela sonegação dos seus direitos elementares, pela sonegação de impostos, comandada por uma elite econômica hipócrita e maquiavélica (no seu mau sentido).

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Forças organizadas

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A liberdade de imprensa é uma das grandes farsas que imperam no sistema burguês gerador e administrador desse capitalismo selvagem, que cria desigualdades brutais, miséria e a barbárie.

A imprensa, segundo as leis internacionais, é sempre uma concessão do Estado e deveria ser universal, isto é, concedida e aberta a todos os cidadãos. Mas está toda ela reservada para o mesmo capital. Seus “proprietários” são participantes do mesmo capital, e por isto se torna elitista e sonega o direito à verdadeira expressão da vontade e das legítimas reivindicações populares. Uma mídia que seleciona suas notícias, sempre voltada para defender os interesses dos exploradores, mas que impede a veiculação de informações importantes de interesse do povo, sobretudo as geradas pela reação do movimento social que contesta os desmandos que são praticados neste país.

A prática da liberdade de imprensa no Brasil se compara ao exercício da política oficial: políticos eleitos pelo povo, tendo suas campanhas eleitorais financiadas pelos detentores das terras, dos bancos, das indústrias e do comércio, julgam-se donos do país, isentos de julgamentos dos seus crimes e com direito a praticar toda a sorte de bandalheira. Mas que não têm competência para governar segundo os interesses de toda a nação.

Assim é a prática da mídia no Brasil: tendo obtido a concessão, julga-se possuidora de todos os direitos, incluído o “direito” de desinformar e corromper ideologicamente a opinião pública. De tal forma que, cada vez mais, se torna necessário um amplo trabalho de informações desenvolvido pelas forças populares organizadas, capaz de, com o tempo, despertar a consciência crítica do povo, animando-o a assumir as rédeas da condução do nosso país, determinando o que pode e o que não pode ser praticado pelos políticos e pelos meios de comunicação social. E, acima de tudo, se for o caso, cassar mandatos e concessões. Sem isto não haverá democracia para o povo.