Por: Luciene Ferrari
É engraçado quando paramos para analisar como foi que chegamos até aqui. Geralmente, a gente só vive, porque a vida é assim mesmo, muito corrida, nunca temos muito tempo de parar para pensar em nossas escolhas e nas conseqüências que elas nos trarão. Aí, quando olhamos para trás, percebemos que, mesmo sem querer, a vida nos leva para lugares, e nos leva até pessoas, que tem muito em comum com a gente: é como se fosse tudo programado, como se tudo estivesse conectado!
Incrível, e ao mesmo tempo assustador. Vejam bem: Em 2005, sem muita noção do que eu realmente queria para a minha vida, entrei em um curso técnico em design gráfico. Um ano e meio depois, ainda sem muita noção do que eu queria, eu precisava buscar um estágio na área, para concluir o curso e me formar. Foi então que procurei o Cooperjornal, jornal da cidade de Três de Maio, e consegui um estágio lá. No fim das contas, o curso só me fez perceber que eu não tinha vocação alguma para designer, mas por outro lado, tive um contato maior com a área de Publicidade e Propaganda, e foi nisso que resolvi investir.
Tempo depois, já com alguma noção do que eu queria para a minha vida, buscava constantemente provar a mim mesma que a publicidade não tinha só o objetivo do lucro, não servia para manipular a mente das pessoas a consumir e consumir cada vez mais. Ao longo da faculdade, percebi que não é assim que as coisas funcionam, pelo menos não com essas palavras: há sempre uma maneira mais amena de explicar esses fenômenos que a publicidade causa. Graças aos céus, né, assim me sinto menos culpada!
Porque eu, justo eu, que sempre fui tão esquerdista, socialista, comunista, anarquista, e todos os tipos de “ista” que, de uma forma ou de outra, sempre pregaram a igualdade entre os homens, a abolição do capitalismo e do consumismo exacerbado?! Justo eu, agora apaixonada por um curso que me tornará uma profissional que sobreviverá desse consumismo maluco, que destrói a mente das pessoas, e as faz cair numa utópica ilusão de que consumir, sempre mais, as deixara mais realizadas.
Mas, como citado no início do texto, uma coisa leva a outra, e tudo parece estar conectado. Hoje, continuo na faculdade de Publicidade e Propaganda, mas não me martirizo mais com essas contradições que apareceram ao longo do meu caminho. Graças a faculdade, consegui um estágio em uma Incubadora de Economia Solidária, uma espécie de projeto com o objetivo de auxiliar pequenos empreendimentos de economia solidária, como grupos de artesãs e costureiras, grupos de catadores de materiais recicláveis, agricultores, entre outros.
Consegui conciliar o “lobo mau” que é a Publicidade e Propaganda, com uma nova alternativa para a economia mundial, a Economia Solidária, que possui todos os bons princípios que eu sempre busquei, prezei e preguei. Aprendi que quanto mais lutamos contra alguma coisa, mas ela nos persegue, e por isso tinha que ser assim. Eu não escolhi a Publicidade e Propaganda, ela que me escolheu, não para usá-la da forma tradicional como ela é usada, mas para aplicá-la em princípios que eu defendo, mesmo parecendo contraditório.
Será que consigo? Não sei, daqui alguns anos escrevo a conclusão desse texto. Talvez em minha tese de doutorado…