O Bairrista: O site mais gaúcho do RS. E do mundo!

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Por: Luciene Ferrari

Um jornal on-line que divulga notícias fictícias de cunho humorístico, colocando o Rio Grande do Sul como melhor em tudo. Mais que isso, considera o nosso estado como uma república independente. Este é O Bairrista, um site que entrou no ar no dia 02 de janeiro de 2011, e que já é o periódico preferido dos gaúchos

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Se você for acessar O Bairrista (www.obairrista.com) pela primeira vez, não estranhe o fato de o site se referir ao nosso estado como um país, chamar o Governador Tarso Genro de Presidente, e Porto Alegre de Capital Federal. É tudo brincadeira. Apesar de parecer, O Bairrista não é uma publicação separatista, mas de humor. “O objetivo é fazer os viventes dar umas risadas, criticar um pouco, provocar um pouco”, afirma Júnior Maicá, criador e editor-chefe d’O Bairrista.

O nome já diz tudo. Bairrista, conforme o dicionário, é “que habita ou frequenta um bairro. Defensor dos interesses do seu bairro ou de sua terra, de maneira obsessiva e em detrimento dos demais”. Sabendo que o povo gaúcho é um dos mais bairristas, Maicá resolveu brincar com a ideia de que seria viável separar o Rio Grande do Sul e criar um novo país.

Conforme Maicá, no princípio O Bairrista se resumia a um perfil no Twitter, que foi criado em 2010. Vendo a repercussão, veio a ideia de montar o periódico: “A ideia não é nada que tenha consumido horas de suor e inspiração. Apenas foi uma junção de vontade de escrever com um pouco de observação dos nossos costumes”, afirma Maicá.

As notícias publicadas são todas de autoria do editor-chefe. Ele procura passar a impressão de que existe uma equipe, mas na verdade, exerce sozinho todas as funções. Segundo o jovem, que tem 27 anos, mora em Cachoeirinha e trabalha com números (é estudante de Ciências Contábeis), a inspiração para criar os textos surgem ao dar uma lida nos jornais ou ouvir o rádio. “E é bem simples: bairristar toda e qualquer notícia que possa ser bairristada. Se um vulcão entra em erupção e fecha o espaço aéreo da América Latina, para nós não foi o vulcão e sim a fumaça dos churrascos no acampamento Farroupilha”, revela Maicá.

Hoje, o perfil d’O Bairrista no Twitter já tem mais de 55 mil seguidores e o site é um sucesso, não só entre os gaúchos. “Sim, estrangeiros também acessam O Bairrista. Mas a grande maioria dos leitores é daqui”, afirma o editor-chefe. Além disso, existe uma página no Facebook, que inclui uma extensão com um aplicativo que modifica alguns termos oficiais da rede social por expressões gaúchas, o Facebook Bagual do Bairrista. “Tchê, o Face Bagual é um sucesso. Quando a gente parou de contar, tinha mais de 50 mil downloads”, conta Maicá.

O site faz tanto sucesso, que até o Governador, ou melhor, o Presidente da República Rio Grandense Tarso Genro, tornou-se leitor do periódico: “Nós nos encontramos e batemos um papo de uma hora, mais ou menos, sobre diversos assuntos: bairrismo, política, o papel do jovem na política e o interesse por estes assuntos. O Tarso ficou sabendo do site e adorou, se tornou um leitor assíduo”, afirma Maicá. Frequentemente saem notícias envolvendo o nome de Tarso no periódico, mas conforme o editor, ele gosta, entra na brincadeira e até ajuda a divulgar.

Por enquanto, a sede do jornal se resume em um notebook e um iPhone e “dá algum dinheiro”, conforme Maicá. Para o futuro, existem alguns projetos: “Mas, por enquanto, é segredo de República”, afirma. Questionado sobre a enorme repercussão da idéia, o jovem finaliza: “Tchê, eu sabia que era uma boa ideia e que poderia sim alcançar um certo número de pessoas. Mas eu não imaginava que teria quase um milhão de leitores. Ultrapassou todas as expectativas”, garante.

 

* Matéria produzida para a edição de Dezembro de 2011 da Revista Tri

Tri! Até no nome

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Por: Luciene Ferrari

A irreverência, o estilo super original, além da musicalidade surpreendente, são marcas da Banda Tri. Misturando folk com pop rock e ukulele – um instrumento havaiano – os guris fazem um som harmonioso e gostoso de ouvir

De cara, o que mais chama a atenção no grupo é o estilo meio retrô, que une óculos vintage, cha­péus de época, terninhos apertados e suspensórios com bermudas, formando um visual único. Porém, o visual é o que menos impor­ta quando os gaúchos, todos naturais de Uruguaiana, sobem no palco. O que predomina é o carisma, o talento particular de cada integrante e a musica­lidade impressionante das canções. Com tanto talento, os cinco guris de Uruguaiana que formam a Banda Tri, partiram para São Paulo em busca de mais oportunidades para seguir a carreira musical. Em meio a tantos outros músicos com o mesmo sonho, a Tri era apenas mais uma banda no underground lutando por espaço, até serem escolhidos como finalistas do quadro “Olha Minha Banda – Especial Rock in Rio” do progra­ma Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Eles não venceram, mas foram a banda com maior repercussão no Brasil, com certeza. E com a mesma simplicidade e carisma que conquistaram o Brasil, me concederam uma entrevista* via Internet, em que falam sobre a carreira, a participação no Caldeirão e os planos para o futuro. Confira:

Luciene: Quem é a Banda Tri?

Banda Tri: Leonardo Vidal, 20 anos, ukulele e voz; Vinicius Ceratti, 21 anos, violão; Guilherme Moreira, 21 anos, contra baixo; Bruno Couto, 20 anos, bateria; e Vinicius Goulart, 23 anos, flauta, gaita e teclados.

Lucy: Qual é a história da Banda Tri?

B. Tri: Já havia outra banda antes da banda TRI, que começou com o Vini Ceratti e Bruno Couto, era outro estilo, outra banda. Enfim, em 2010, conheceram Léo Vidal, que a princípio entrou como baixista, e a amizade com ele começou assim, por causa do sonho. O vocalista da banda antiga saiu, dando lugar para o Léo assumir os vocais, e foi com essa entrada que todos resolveram mudar de estilo. E aí então chamaram o Guilherme Moreira, primo do Vini Ceratti e amigão do Bruno Couto, e depois, por último, a entrada do Vinicius Goulart, que era amigo do Léo de tempos atrás. E a troca de nome para Banda Tri ocorreu no dia 26 de março de 2011, que também é o dia do aniversário do Léo e do Gui.

Lucy: Por coincidência, a revista onde trabalho chama-se Tri e existe uma história por trás deste nome. Qual a história da origem do nome da Banda Tri?

B. Tri: Bom, como a banda tem um som bem original, a gente pensou no nome mais original possível. Na verdade foi uma noite muito pensativa na praia de Santos, ainda morávamos lá, e nós pensamos: – Que nome seria TRI LEGAL para nossa banda? Dai pensamos, BANDA TRI! Hehe.

Lucy: Contem um pouco sobre a carreira de vocês, como foi no início, principais dificuldades, por que mudaram para São Paulo e no que isso beneficiou?

B. Tri: Olha, na verdade a gente não dá bola para as dificuldades, porque a gente sabe que isso é normal e que a gente vai passar por elas, e que a maior delas a gente já conseguiu superar, que era se mudar de Uruguaiana e vir para São Paulo tentar a vida. E simplesmente isso nos beneficiou bastante, porque aqui a gente tem oportunidades que não teríamos lá, conhecemos um pessoal importante que só aqui conheceríamos, e é daqui que a gente tem a oportunidade de espalhar nosso trabalho cada vez mais e mais por todo o Brasil.

Lucy: Houve algum impedimento por parte de algum familiar ou vocês sempre tiveram apoio?

B. Tri: A gente sempre teve todo o apoio do mundo dos nossos pais. Acho que se não fosse por eles nós não estaríamos aqui agora.

Lucy: Já pensaram em desistir?

Léo Vidal: Não, nem pensar. Porque parece que a gente foi feito pra isso. Sempre falo para os guris que eu podia ser um ótimo advogado, ou químico ou matemático! Qualquer coisa que eu quiser, é só querer. Mas é isso que a gente mais quer agora, e nada vai nos fazer desistir.

Lucy: Vocês não venceram o Olha Minha Banda especial Rock in Rio, mas chegaram muito perto. Contem como foi essa experiência desde o início e o que essa oportunidade trouxe de bom para a banda.

B. Tri: Olha, na verdade a gente nem sabia. Uma amiga de Santos tinha nos inscrito no programa ano passado, e do nada a Globo liga aqui pra casa, e fala que a gente está entre as 30 bandas selecionadas, e que era para a gente fazer um vídeo e mandar pro Caldeirão. Aí sim nós acreditamos que podíamos ser selecionados sim, a gente confia muito em nosso trabalho. Bom, deu no que deu. Creio que fomos a banda que mais repercutiu no Brasil mesmo não tendo ganhado, e após isso muita coisa mudou em nossas vidas! A gente sai na rua e realmente é reconhecido, já estamos começando a fechar muitos shows, e todo mundo acredita muito em nós e no nosso talento. Acho que o mais legal mesmo foi ter a oportunidade de ser visto pelo Brasil todo e ter tido o devido reconhecimento, que para nós, é o mais importante.

Lucy: Há previsão para o lançamento de um CD?

B. Tri: Olha a previsão para o lançamento de um CD seria no começo do ano que vem.

Lucy: Qual o papel da Internet na divulgação da banda?

B. Tri: Importantíssimo. Acho que a Internet hoje em dia é simplesmente indispensável. A gente usa bastante para se relacionar com os fãs, fazemos twitcam, que eles adoram, e estamos sempre ligados com o nosso público.

Lucy: Sinceramente, nunca ouvi um som como o de vocês. Como vocês definem o estilo da música da Banda Tri? Existem influências?

B. Tri: Simplesmente não existem influências para fazermos nossas músicas. A gente senta, para e pensa sobre o que a gente quer escrever, e sobre como vamos fazer aquilo. Então eu acho que também ainda não existe uma definição certa para o nosso som. Seria estilo TRI! Hehe.

Lucy: E na opinião de vocês, qual o principal diferencial da banda?

B. Tri: O principal mesmo seria o Ukulele. Mas acho que cada integrante tem um diferencial por si só. Seja o chapéu do Léo ou a cartola do Couto ou atá mesmo a cara de Harry Potter do Gui, enfim. Haha.

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*Confira a matéria completa com a Banda Tri na Revista Tri número 15, de novembro de 2011.

Dia verde

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– Porque o dia está tão bonito hoje? Pergunta um jovem rapaz ao seu amigo, na fila de espera de um grande show. – Porque Deus quis que o dia estivesse assim, para receber o maior espetáculo de rock dos últimos tempos. Responde.

Quarta-feira, dia 13 de outubro de 2010. O dia em que eu vi pisar em solo gaúcho minha banda de rock preferida. Banda que eu ouço desde a minha adolescência, que descobri mexendoem alguns CDsdo meu irmão.

Lembro bem do dia em que eu soube que o Green Day viria ao país. Foi no início de 2010, eles anunciaram a turnê e o Brasil estava incluído. Meses depois, confirmaram showsem São Pauloe no Rio de Janeiro. Foi meio decepcionante, afinal, seria quase impossível eu ir. Mas, uma esperança ainda restava. Passei a olhar todos os dias o site oficial da banda e as comunidades no Orkut – desde que tenho conta no Orkut, participo da comunidade “Se Green Day vier, eu vou!”. Até que um dia, a janelinha do meu MSN piscou. Era um amigo, me comunicando da notícia anunciada recentemente no site oficial da banda: estava confirmado o showem Porto Alegre, no dia 13 de outubro.

Ah! Eu gritei e chorei muito. Era a minha chance de ver de perto o Billie, o Tré e o Mike. Na mesma hora, deixei um recado no Orkut para a Shirley, uma grande amiga que moraem Porto Alegre. Eujá tinha dividido com a Shirley a emoção de ver de perto o Pearl Jam, que é a banda preferida dela. E naquele show, que ocorreu em 2005, combinamos que, quando o Green Day viesse, íamos juntas novamente.

Um tempo se passou e a Shirley nem tinha se mostrado muito empolgada com a notícia. A venda dos ingressos havia começado e, novamente, mandei um recado para ela. Dois dias depois, recebi a resposta: “Passei por um ponto de venda e não me aguentei, comprei nossos ingressos!”. Legal que ela falou isso com tanta naturalidade e óbvio que eu quase surtei quando vi a foto do ingresso no Orkut dela. Poxa, eu ia ver o Green Day!

>> Euforia: O tempo entre a compra dos ingressos e o dia do show passou voando. Quando eu vi, já tinha chegado o dia de embarcar na van rumo à realização do meu sonho. Ah, sim… Neste meio tempo conheci um pessoal que estava organizando uma excursão para o show, com saída aqui de Ijuí, e aproveitei a oportunidade. E lá estava eu, em uma van cheia de gente louca por Green Day, tão eufóricos quanto eu para ver de perto essa banda que fascina, encanta e diverte o público. Saímos de Ijuí por volta da meia-noite do dia 12 de outubro e chegamosem Porto Alegre na manhã do dia 13.

Ficamos o dia todo ali, nos revezando na fila. Queríamos garantir um bom lugar. Aos poucos, mais fãs foram chegando e a hora do grande espetáculo se aproximava. Por volta das 18h, os portões do Ginásio Gigantinho se abriram. É uma emoção muito grande quando abrem os portões, todos correndo, loucos, malucos, querendo garantir um lugar bem em frente ao palco. Resolvi ficar na arquibancada, porque, afinal, não tenho mais 15 anos e aquilo era um show punk. E eu queria muito sair viva de lá para poder escrever esse texto.

Logo, a Shirley chegou e ficamos fofocando, colocando a conversaem dia. Nemparecia que eu estava esperando para ver o Green Day. É que uma coisa estranha acontece nesses casos, é difícil acreditar que está tudo realmente acontecendo. Eu olhava ao redor e enxergava pessoas com câmeras fotográficas, todos com camisetas, faixas, cartazes da banda, cantando as músicas da banda, pulando, bebendo. É muito louco… E eu estava ali no meio, não acreditando, mas vivendo tudo aquilo. Até gastei R$30,00 em uma camiseta da turnê.

A gente nota que a hora está chegando quando a banda de abertura se despede e saí do palco. Tchau para a Superguidis, que, por sinal, fez um grande show. Então, as luzes do ginásio se apagaram e clássicos do rock começaram a tocar. Quando tocou Ramones, senti um arrepio muito forte… O show ia começar!

>> A hora chegou! Por um instante, tudo silenciou. A intro do CD “21st Century Breakdown”, a famosa “Song of the Century” começou a tocar ao fundo. Nesse momento, as 15 mil pessoas que lotavam o Gigantinho gritaram, todas ao mesmo tempo, gritos que aumentaram com os primeiros acordes vindos da guitarra de Billie Joe Armstrong. O Green Day estava no palco, eu estava chorando abraçada na Shirley e o ginásio estava tomado pela emoção dos fãs. Oito anos de espera e finalmente eu estava vendo um show deles, da banda que fez eu me tornar uma amante e admiradora do rock.

As primeiras músicas tocadas foram as do último CD, que deu nome a turnê. Mas, obviamente, os clássicos não ficaram de fora. Foram três horas de show, ou melhor, de espetáculo, porque com tudo o que o trio fez em cima daquele palco, chamar de show é pouco.

O Billie Joe, nas palavras da Shirley, é igual aos Oompa Loompas, sabe, os anõezinhos do filme “A fantástica fábrica de chocolate”. Ele é pequenininho e espevitado, não sossega… Canta, toca, fala muito, corre, pula, tudo ao mesmo tempo. E é muito piadista e bem humorado. O Tré Cool é exótico, o pé dele é mesmo muito grande, mas ele também é bem pequenininho, quase desaparece atrás da bateria. E o Mike Dirnt, ah! Que baixista! Ele é o mais sério da banda, ou melhor, o menos bobo, toca muito e toca com vontade, com prazer. Juntos, formam um trio perfeito e harmônico, capazes de conduzir um show repleto de surpresas, que é, ao mesmo tempo, um show de rock e um show de humor, porque é impossível não se divertir vendo o Green Day no palco.

Tenho pouco espaço para descrever tudo o que presenciei naquela noite. Mas, entre os pontos altos destaco os efeitos do show, que teve muitas explosões, fogo e chuva de faíscas; O fã que foi chamado ao palco e levou um celinho do Billie Joe e a fã que cantou uma música com ele e foi presenteada com sua guitarra; As gigantescas rodas punks que se formaram na pista, principalmente ao som dos clássicos do “Dookie”; Os covers muito bem selecionados, entre eles AC/DC e Led Zeppelin; E o Billie Joe gritando “Oh my Good, Brasil” em tom de orgasmo.

Depois de tudo, tenho a certeza de que a espera valeu a pena, que o dinheiro gasto foi bem investido, que o cansaço foi recompensado. O show do Green Day foi um sonho realizado, um dia inesquecível, um dia verde! Para mim e para eles: “Last night inPorto Alegrewas top 3 craziest shows we ever played”, diz Billie Joe no Twitter oficial do Green Day.

Que rock é esse?

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Roqueiros fazendo roda punk e cantando música sertaneja. Uma cena difícil de imaginar. Mas é exatamente isso acontece nos shows da Hardneja Sertacore, uma banda portoalegrense diferente de tudo que você já ouviu


É comum ouvirmos que são dos momentos mais improváveis e das ideias mais bizarras, que surgem grandes projetos. Foi mais ou menos assim que nasceu a Hardneja Sertacore, uma banda que, como o próprio nome indica, traz uma mistura de dois estilos musicais bem distintos: hardcore e sertanejo. “Eu tive a ideia e gravei uma versão em 2004, mas sem perspectivas, e mandei para alguns amigos e músicos”, conta Nigéria, vocalista e guitarrista da Hardneja Sertacore. “Em 2007, digitei por acaso ‘Hardneja’ no Youtube, e me surpreendi ao ver que duas músicas minhas estavam com mais de dois mil plays cada, e não fui eu que coloquei, nem sabia que as músicas estavam ali”, relata.

Vendo isso, Nigéria começou a pesquisar mais e encontrou, não só suas músicas para downloads, como comunidades no Orkut. “Tinha muita gente querendo saber sobre a tal ‘banda misteriosa’, pedindo shows e mais músicas. E essa banda, que estava crescendo sem nenhuma divulgação intencional, sequer existia. Percebi que o projeto tinha potencial, convidei o Gabriel (guitarra), o Lucas (baixo) e o Careca (bateria), que estavam acompanhando tudo, e juntos montamos a banda”, conta o músico.

A Hardneja Sertacore possui como influência o punk/pop e o hardcore californiano, bandas como NOFX, No Use for a Name e Green Day. Suas músicas são os grandes clássicos sertanejos, de duplas como Zezé di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó, transformadas em versões rock and roll. Nigéria conta que muitos fãs comentam que seus pais e familiares gostam da banda, pois já conhecem a letra e a melodia. “Mas, nosso público dominante é a galera do rock! Roqueiros fazendo roda punk e cantando sertanejo. No início, até a gente achava engraçado, mas agora é algo absolutamente normal”, esclarece.

Apesar da arriscada junção de dois tipos de músicas tão distintos, a Hardneja Sertacore teve grande aceitação de ambos públicos, desde o início. “Nos primeiros shows a gente sempre pensava: ‘Será que a galera vai gostar?’ Confesso que sentíamos um ‘friozinho na barriga’. Mas, felizmente, a aceitação tem sido muito boa. Deve ser porque as pessoas percebem que é uma parada verdadeira, que não estamos tirando onda com ninguém. E o que é verdadeiro, funciona”, argumenta o vocalista Nigéria.

A música mais pedida em shows é “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó, afirma o vocalista. “Para mim é o ápice do show, rola uma energia muito forte”, lembra. “Não tem palavras para expressar o que sentimos quando estamos no palco, ouvindo a galera gritar, cantar, curtir nosso show. É muito recompensador, faz tu esquecer qualquer problema! É um sentimento muito forte”.

Percebendo essa energia positiva por parte do público, os integrantes da Hardneja Sertacore decidiram que era hora de ir adiante. Com essa perspectiva, mudaram para São Paulo em maio de 2009, deixando para trás famílias, amigos, namoradas, trabalhos, tudo pela realização de um sonho: viver de música e conquistar maior reconhecimento e sucesso. “Foi um grande passo na nossa carreira. A partir disso, vieram muitas conquistas, como assinar com a Arsenal/Universal Music”, afirma Nigéria. Mas, sem dúvida alguma, um dos maiores momentos da banda em 2009, foi a participação no Programa Altas Horas, da Rede Globo, com a famosa dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. “Tivemos o prazer de dividir o palco com eles e foi uma experiência única. Quando tocamos nossa versão de ‘Você vai ver’, eles cantaram conosco, totalmente no improviso e rolou. Foi muito bacana”, lembra o vocalista.

Nigéria também comenta sobre planos e desejos para 2010: “O lançamento do CD, nesse mês, e em breve lançar o nosso primeiro videoclipe. Além, é claro, de tocar a divulgar muito por todo o Brasil, levando o nosso som a um público cada vez maior”. E finaliza: “Não é fácil viver de música. A dica que eu deixo para quem também tem esse sonho, ou qualquer outro sonho, é ser verdadeiro, sempre, sentir prazer no que faz. Estudar, ter muita dedicação e determinação. Tem uma frase que eu gosto muito: ‘quando a intenção é verdadeira o universo conspira a favor’. E, claro: não esperem trancados no quarto”.

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>>> Internet: Graças à internet, nada passa despercebido nos dias de hoje. Rodando de computador a computador, a Hardneja Sertacore tornou-se conhecida em praticamente todos os estados brasileiros, isso quando a banda sequer existia. “A internet é a maior divulgadora da Hardneja Sertacore”, diz Nigéria. “Podemos afirmar que chegamos até aqui graças a ela, também. Afinal, é dessa forma que bandas independentes conseguem divulgar seu som e criar fãs em vários lugares do país, como aconteceu conosco”, explica.

Atualmente, a banda recebe cerca de três mil visitas diárias em seu MySpace, disponível no endereço http://www.myspace.com/hardnejasertacore. Por esse motivo, as novas músicas sempre são lançadas no site, como uma forma de agradecimento ao sucesso que conquistou na rede.

Além disso, os quatro integrantes da banda possuem perfis no Twitter, outro importante site de relacionamento. Segundo Nigéria, eles tentam sempre responder as mensagens de todos os fãs, pois acham fundamental ter esse contato. Foi via Twitter, inclusive, que essa matéria foi possível…

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* Reportagem feita por mim e publicada na edição de agosto da Revista TRI

Há uns 10 anos…*

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Por: Luciene Ferrari

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Parece pouco tempo, mas muita coisa mudou de lá para cá. Naquela época eu não tinha computador, MSN nem existia, muito menos Orkut. Eu tinha muitas amigas e elas eram reais, nos víamos todos os dias. A gente se reunia para comer pipoca, ver a trilogia Pânico e dançar Spice Girls. Éramos entre umas sete ou oito meninas, e era divertido.

Hoje, eu tenho 589 “amigos” no meu Orkut. Ou melhor, 590… Acabei de aceitar mais uma solicitação nesse exato momento. Menos da metade deles me cumprimentam na rua, olhando na minha cara. Alguns, eu nunca vi. E posso contar nos dedos com quem realmente tenho algum contato real. Não é mais divertido.

Há uns 10 anos, pessoas realmente se conheciam e não apenas pela Internet. Pessoas eram pessoas, e não fakes. Crianças iam brincar em parquinhos e não tinham problemas de visão nem obesidade oriundos dos videogames e computadores. Meninas de 12 anos brincavam de boneca e não saiam pra balada “pegar geral”. Fotos eram tiradas para registrar momentos, e não para colocar no Orkut.

Kinder Ovo era R$1,00. Parmalat era o melhor leite. O “eu te amo” não era banalizado e os relacionamentos duravam mais – ou pelo menos, duravam alguma coisa. Pessoas eram bissexuais por questão de interesse e não porque está na moda. Rock era Nirvana e não NxZero. Rock era rock, rock era bom, era rebeldia, atitude, era revolução. Há uns 10 anos, eu iria rir se me dissessem que ia surgir um novo rock, com letras sobre relacionamentos adolescentes e integrantes usando calças coloridas e cabelo ruim. E iria rir mais ainda se me dissessem que os jovens dessa época iam gostar disso.

Há uns 10 anos, o All Star era R$30,00 e durava muito mais. Melissa era só um calçado de plástico, modelo único e barato. Polainas se usavam por baixo da calça, para esquentar o tornozelo. Aliás, as calças eram largas em baixo e arrastavam no chão. E era legal.

Há uns 10 anos, eu lembro, era tudo diferente. Festas de 15 anos não eram eventos. Seriado era Friends. Coca-Cola em garrafinhas de vidro era essencial. Diários eram de papel. O Rock in Rio era no Rio e não em Lisboa. Plutão era um planeta. Rick Martin não era gay. Não se falava em aquecimento global. Os jovens eram mais espertos… Os idosos, mais sábios.  Há uns 10 anos, O crack não era um problema e bala era guloseima, e não perdida ou droga.

Uma década se passou e, durante esse tempo, ocorreram mudanças. Algumas necessárias, outras nem tanto. Admito que, hoje, não viveria sem a tecnologia, sem a internet e sem a facilidade que ela nos proporciona. Mas é como se faltasse algo. E, de certa forma, falta. Talvez um amigo, uma ideologia ou, simplesmente, o resgate às coisas simples. Não deixemos que os anos se passem e com eles se percam valores essenciais como a humildade, a simplicidade, a verdade, o respeito pela natureza e pelas outras pessoas. Já dizia uma amiga: “A felicidade está no próximo, nas palavras ditas ao pé do ouvido ou no abraço apertado que damos naqueles que gostamos.” Não deixemos que o tempo se perca em vão. Não tornemo-nos mais um rosto plástico e intocável em meio a tantos presentes na “web”.

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* Texto que será publicado na Revista TRI do mês de julho.

OBS.: Agradecimento especial a Drica, que me ajudou na finalização do texto.

A encantadora arte de fotografar

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(Matéria publicada na Revista TRI – Identidade Cultural de abril de 2009)

“Antes de tudo, a fotografia é uma atividade divertida. É feita para registrar lembranças e comunicar nossas ideias e pensamentos, e é a única em sua capacidade de congelar para sempre um determinado instante do tempo. É isso, talvez, que lhe confere um encanto universal”. (John Hedgecoe, fotógrafo e escritor)


Por Luciene Ferrari

Viajar mundo afora com uma câmera na mão, fotografando tudo e todos que achar interessante. Esse é o sonho de Bruna Mohr, de 17 anos, uma jovem e bela fotógrafa ijuiense, com um talento indiscutível, que revela por meio de suas fotos um profissionalismo de gente grande.

Bruna se define como uma garota de personalidade forte, mas bem sociável: “Gosto de sempre estar envolvida em algum projeto, de trabalhar voluntariamente. Sempre viajei bastante e me mudei bastante, nunca vivi mais de cinco anos no mesmo lugar, então sou uma pessoa bem adaptável e sociável”, explica a jovem.

A paixão pela fotografia surgiu quando Bruna ainda era criança: “Fui influenciada pela minha mãe, que me dizia que quando era mais nova tinha o sonho de ter uma câmera pra registrar os momentos que ela vivia”, argumenta. “Mas essa paixão cresceu quando ganhei minha primeira câmera e pude mostrar às pessoas a forma como eu via o mundo e isso é incrível!”, completa a jovem fotógrafa.

Bruna ainda não fez nenhum curso ou especialização na área, mas, conta que lê muito sobre fotografia, além de estar sempre debatendo com fotógrafos profissionais na Internet. Por enquanto, a jovem encara a fotografia como um hobby, mas seu desejo é dedicar-se, futuramente, somente a ela. “Por enquanto é um hobby, mas sempre que aparece alguma oportunidade profissional eu aceito. Já fiz fotos para divulgação da banda Parada Obrigatória e fora isso, tento sempre aproveitar as oportunidades que aparecem de tirar fotos pra festas, para alguns amigos ou qualquer outra ocasião em que meu trabalho seja divulgado”, explica.

As coisas da natureza – paisagens, flores, insetos, etc. – é o que Bruna mais gosta de fotografar: “Eu sempre disse para as pessoas que eu tinha duas paixões incontroláveis: a fotografia e a natureza. Então eu as uni!” conta. Justamente por amar a natureza, é que Bruna decidiu cursar Engenharia Florestal: “Terminei o ensino médio ano passado e agora estou esperando minhas aulas na UFSM começar. Espero conseguir terminar a faculdade de Engenharia e depois ingressar em um bom emprego, para poder bancar minha faculdade de fotografia”, comenta.

Por estar com sua câmera sempre acionada, fotografando momentos, a talentosa jovem confessa que já registrou cenas inusitadas, muitas delas sem querer: “Já fotografei uma abelha chegando à flor, quando minha intenção era somente fotografar a flor. E como sempre estou com a câmera na mão, acontece, de vez em quando, de eu registrar alguma pessoa em alguma pose estranha ou engraçada”, conta, aos risos.

Bruna chama sua atual câmera, uma Canon SX110 IS, de “xodó”. Segundo ela própria, é uma câmera simples, mas especial, ainda mais por ter ganhado de presente de um amigo. Mas o segredo da beleza e do encanto das fotos de Bruna não está na câmera, e sim na sensibilidade e no talento inegável da jovem, que busca inspiração nos lugares e nas coisas que vê no dia-a-dia. “Eu gosto de fotografar as pequenas coisas, de pegar detalhes que passam despercebidos por muitas pessoas” finaliza a artista.

Mais fotos de Bruna:

“Há dias que os dias passam, sem explicação…”

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Enquanto eu observava a lua cheia lá fora, sentindo o frio gostoso que faz nessa época do ano, pensei sobre algumas atitudes que tenho tomado. Não sou uma má pessoa, nunca fui. Sou alegre, geralmente falo muita bobagem e estou quase sempre de bom humor. Mas, falo o que penso, faço o que me dá vontade de fazer e, por isso, muitas vezes sou má interpretada ou, acabo “exagerando na dose”. Tenho tido problemas com isso, me sinto meio perdida, sem saber como agir. Sei que preciso mudar, mas não sei por onde começar. Se você é uma dessas pessoas, que nesses últimos tempos se ofendeu comigo por algum motivo, qualquer que seja… Quero que saiba que, não sou assim. Não sou má, não sou desequilibrada, não sou inconseqüente e não dei em cima do seu namorado. E se fui, se fiz… Não era eu. Era outra Lucy, uma Lucy insegura, que está passando por mudanças bruscas na vida. Primeiro, descobri que uma pessoa da família estava com suspeita de câncer. Graças a Deus, a suspeita não foi confirmada, mas por meses tive que engolir isso calada, vivendo a cada dia aquela agonia, aquela dor, um sentimento horrível de invalidez, de tristeza por não poder fazer nada, absolutamente nada e, sim, isso me abala até hoje quando lembro. Segundo, crises com o namoro, porque a pessoa que amo, ou que pensava amar, foi embora, se mandou, foi morar em outra cidade, bem longe daqui. A pessoa que sempre me ajudou, que sempre esteve aqui… Não está mais. Terceiro, porque vejo meus amigos envolvidos com seus problemas pessoais e, não os culpo, todos temos nossos problemas pessoais… Mas, não há espaço pra mim ali, não há amigos disponíveis nessas horas que a gente tanto precisa e, isso é bem triste. Se sentir sozinha, é bem triste. E, por último, problemas com a faculdade, em um semestre que apenas uma disciplina, das seis que faço, me agrada, me faz ter vontade de sair de casa e ir assistir aula… Dúvidas em relação ao curso, há pouco mais de um ano da sonhada formatura. Talento eu tenho, mas não para o curso que faço. Não é o que dizem, mas é o que eu vejo. Se estou tentando justificar? Não. Até porque, se você que estiver lendo isso for realmente meu amigo, então eu não preciso me justificar… Não se justifique, já dizia um sábio: seus amigos não precisam e seus inimigos não vão acreditar. Só queria me desculpar, mesmo… E se falei tudo isso, antes do difícil pedido de desculpas, foi numa tentativa de tentar descobrir, escrevendo, o que está havendo comigo. De tudo, uma certeza: dias melhores, virão. E eu voltarei para dar notícias…